27 março 2008

Augusto dos Anjos

A UM CARNEIRO MORTO

Misericordiosíssimo carneiro
Esquartejado, a maldição de Pio
Décimo caia em teu algoz sombrio
E em todo aquele que for seu herdeiro!

Maldito seja o mercador vadio
Que te vender as carnes por dinheiro,
Pois, tua lã aquece o mundo inteiro
E guarda as carnes dos que estão com frio!

Quando a faca rangeu no teu pescoço,
Ao monstro que espremeu teu sangue grosso
Teus olhos - fontes de perdão - perdoaram!

Oh! tu que no Perdão eu simbolizo,
Se fosses Deus, no Dia de Juízo,
Talvez perdoasses os que te mataram!


Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no engenho de Pau d'Arco, Estado da Paraíba, a 20 de Abril de 1884, e morreu de tuberculose na cidade mineira de Leopoldina, no dia 12 de novembro de 1914, poucos meses depois de ter assumido o cargo de diretor de um grupo escolar. Estimulado pelo pai, que lhe incutiu bem cedo o gosto da leitura e dos estudos, descobriu no campo, em contato com a natureza, os primeiros sinais de uma vocação intelectual profundamente marcada pelos poetas do Romantismo e, mais tarde, influenciada pela Escola do Recife e pelo "Cientificismo", muito forte à época. Cientificismo este que "perpassará" a sua linguagem. Com a publicação de Eu, em 1912, Augusto promove uma "ruptura" com os padrões da poesia Parnasiana, porque ousa falar em "escarro", "vermes", "podridão", "putrefação", numa época em que a literatura dos "poetas de plantão" era conhecida como "Literatura Sorriso".

2 comentários:

Rodrigo Carneiro disse...

não entendi o motivo de você escolher logo um poema relacionado a carneiro... ^^

mas tá bunito esse negócio!!

Pedro Felix disse...

Hei , foi pq o primeiro poema que li dele foi esse...
E como vc me apresentou ele ai ficou tudo em casa!
rsrsrs