05 junho 2008

Pensamentos Insanos

Eu não sei o que fazer amanhã, talvez eu saiba hoje, mas o amanhã é incerto. Onde estão os meus amigos? Eu não consigo vê-los, estão invisíveis, foram embora. E onde está você? Se foi. Talvez volte, talvez não. Não importa. O tempo é senhor da razão? Talvez. Será que conseguirei abrir os meus olhos para ver o Sol? Não sei. Nunca estive tão certo de nada, sempre a incerteza que me persegue. Eu conheço várias pessoas, e as desconheço por hora, segundos e minutos. As idéias me são escassas, estou com frio, o vento é tão frio. Meus pés estão presos aqui, acorrentados, não podem sair. Eu queria ter o poder, o poder de mudar, de mudar meu nome, minha identidade, meu sobrenome. Os lugares de ontem, seguem no mesmo lugar, nunca esqueço. O ontem para mim tem se tornado presente. E o futuro é tão ausente, distante e indiferente. Ontem vi algumas pessoas estranhas, elas nem mesmo sabem quem são, ou para onde vão, apenas seguem sem rumo, sem direção, sem noção. Eu não tenho noção de mim, nem sei quem sou, nem para onde vou. Seguir, é o objetivo que me resta, sem parar e avante. O mundo gira, as águas se movimentam e seguem seu curso. Até aqui podem ir, não mais adiante. Uma linha demarcatória dentro mim marca os limites do meu coração, da minha razão, do meu tédio. Dou risadas e ouço vozes, tenho idéias loucas e sofro tortura mental e irracional. Dias negros e nuvens carregadas de lágrimas. Chove aqui dentro de mim, tempo vazio. Jardins de flores mortas, pássaros famintos. Fecho os olhos, há tempos não vejo nada. Olho para dentro de mim, não vejo nada além de mim mesmo. Estou acostumado com as sombras e as paredes. Esse lugar inóspito e sórdido. Livros escritos pelas mesmas palavras, páginas rasgadas e sujas de sangue. Deito-me na lama. Sujo minhas roupas rasgadas e esqueço o meu nome. Alguém sabe quem sou eu? Digam-me, por favor...


Obrigado aos que tiveram a paciência de ler isso...

3 comentários:

Biom Cognição 33 disse...

Você é a própria representação de Mahood, de Samuel Beckett, em o Inominável, que, exercendo sua racionalidade, percebe que é irracional, que Descartes falhou no prognóstico filosófico, que Hume é que tem razão, pois somos nossos empirismos, nossos desejos. Bem, acho que, se você descobrir quem é o seu ser, sua ontologia, deixaria de ser essa pessoa brilhante que és, por isso, não perca tempo como Descartes, procurando a linearidade histórica de sua existência, com causalidade, mas seja Hume, seja seus desejos, suas loucuras - A Deusa Loucura Erasmiana gostará - e por fim, seja sua inominavialidade.
Abraços de Biom Cognição Lontitude 33, vulgo, Sílvio César da Silva de Carvalho

Pimentel disse...

obrigado pelas palavras Silvio!

Rodrigo Carneiro disse...

Muito bom!